Com o período da pandemia e a flexibilização do trabalho, o crescimento da procura por imóveis foi evidente. Seja uma família buscando mais espaço, unindo sua possibilidade de trabalho remoto com o desejo de ter tudo o que precisa dentro de uma casa ampla e ambientada, ou alguém que decidiu partir para a casa própria a fim de ter um local mais funcional, essa mobilização e desejo por moradia colocou o mercado imobiliário em alta, recebendo destaque nos relatórios de desempenho e maior porcentagem de contribuição para o PIB.

Relatórios divulgados pelo Secovi-SP na última semana apontaram que, em 2021, houve um crescimento de 29% nas vendas de imóveis residenciais, em comparação com o ano anterior. O mesmo também indica que, apenas no primeiro mês de 2022, tal comercialização já apresenta um índice 6,1% superior à janeiro de 2021, e a valorização se tornou a maior em sete anos.

Da mesma forma, o crédito imobiliário teve seu sucesso. Segundo dados da ABECIP, Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança, 2021 apresentou um recorde histórico de R$ 255 bilhões em financiamentos imobiliários, mais de R$ 80 bilhões a mais do que nos anos anteriores. E, tudo ainda pode melhorar —  a Associação estima que 2022 ofereça um crescimento de 2% neste número — Quer saber como isso pode acontecer? Então, acompanhe, que a Kzas Krédito vai te mostrar:

  • Empréstimo habitacional avançará ainda mais
  • E a Selic?
  • Sistema de poupança será ou não grande contribuinte?
  • Opinião do mercado

 

O empréstimo habitacional avançará ainda mais

Um crescimento de 2% é esperado para o setor de financiamento imobiliário em 2022, e quem afirma isso é o novo presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), José Ramos Rocha Neto. De acordo com ele, o ano deve fechar com um total de R$ 260 bilhões em operações de crédito, e o volume de crédito concedido a mutuários e incorporadores será equivalente ao patamar elevado de contratos, mantendo, assim, o financiamento imobiliário no topo dos elementos mais importantes do sistema financeiro brasileiro.

O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, também concorda com as expectativas. O mesmo forneceu dados indicando que os meses de Janeiro e fevereiro de 2022 já forneceram uma originação recorde, com o maior índice de contratação na história do banco (R$ 11,6 bilhões) e um aumento de 66,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Segundo Guimarães, algumas das estratégias que geraram este bom resultado inicial e que podem ser aplicadas ao decorrer do ano para manter bons números de contratação de crédito são o foco na rentabilização da base, o cross selling, o lançamento de produtos inovadores e disputados, a digitalização dos processos e, claro, o foco na demanda do cliente.

 

E a Selic?

Falando em demanda do cliente, o índice de procura das classes sociais por financiamento ainda é algo que traz questionamentos e instabilidade, devido a repercussão que a taxa básica de juros, Selic, vem gerando.

A passagem para dois dígitos, indo de 9,25% ao ano para 10,75% e, então, 11,75% ao ano em menos de quatro meses fez com que cada semana fosse decisiva no mundo do financiamento imobiliário, porém, ainda assim, a expansão de empréstimos habitacionais é, sim, esperada!

Mesmo com o cenário de alta de juros e busca pela estabilidade, em que houve um aumento total de mais de 9,75 pontos nas taxas médias dos financiamentos em um intervalo de 12 meses, período em que a Selic subiu 9 vezes, a adaptação do mercado à taxa básica é mais marginal e busca equilíbrio, garantindo, certamente, ficar abaixo de 1 p. ao mês (ainda dentro da meta de inflação que é constantemente perseguida pelo BC, sempre um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo), e um conforto para o cenário do crédito.

Ainda, pesquisas feitas por economistas e veículos de comunicação mostram que, mesmo após a decisão do Copom de elevar a taxa Selic em 1 p.p na reunião de março (quarta-feira, 16), a taxa de financiamento continua abaixo da taxa básica de juros — a Taxa Básica de Juros subiu 2,5 pontos percentuais em um período de quatro meses, a taxa média de crédito imobiliário teve uma alta de apenas 0,12 p. no mesmo espaço de tempo, agora com 11,75% e 9,33%, respectivamente — e é esperado que isso se mantenha, uma vez que os bancos tem o dever de continuar direcionando recursos da poupança para o crédito imobiliário e que a competição pela melhor taxa entre as instituições financeiras continua acirrada.

 

Sistema de poupança será ou não grande contribuinte?

No início deste ano, dados da Abecip indicaram que o financiamento com recursos da poupança estava previsto para cair 5% em relação a 2021, e o balanço dos resultados recentes mostrou que o montante de crédito imobiliário partido do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) atingiu, em fevereiro de 2022, R$ 11,8 bilhõe, uma redução de 18,7% em relação a janeiro e de 5,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Porém, o mesmo levantamento apontou que a soma do total financiado pelo SBPE nos três primeiros meses de 2022 já resultou em uma alta de 6,6% em relação aos mesmos meses de 2021, totalizando R$ 26,38 bilhões. Ainda, no final da última quinta-feira (24), a Caixa econômica federal anunciou em primeira mão a redução dos juros para financiamentos habitacionais atrelados à poupança, o que ilumina ainda mais a movimentação do mercado neste ano.

Agora, de acordo com Pedro Guimarães, presidente da Caixa, financiamentos com poupança partem de 2,8% ao ano (mais TR e mais a remuneração da poupança, que somam 6,17%), fazendo com que a taxa anual máxima fique em 8,97% – uma redução de 0,15 ponto percentual.

Até o momento, os juros eram de 2,95%, que, somados às respectivas taxas, deixavam a poupança com um funding acima de 9%. Tal mudança deve pressionar outros bancos a também diminuir suas taxas ou, ao menos, mantê-las estáveis, facilitando o acesso ao crédito imobiliário.

Ainda, Guimarães afirmou que vai aumentar as concessões de crédito na poupança em 20% ao decorrer deste ano, atingindo entre R$ 165 bilhões e R$ 170 bilhões.

 

Opinião do mercado

Apesar da instabilidade nos recursos nacionais e vertentes econômicas dos últimos tempos, como sequelas financeiras da pandemia, alto índice de desemprego, renda populacional ainda mais baixa, inflação e alta nas taxas, economistas e especialistas do mercado apostam na alta procura do crédito imobiliário.

Nosso sócio-fundador e head de crédito imobiliário para incorporadoras, Eduardo Muszkat, vê a expansão do mercado de financiamento neste ano através da chance de os bancos manterem o custo do crédito imobiliário estável, mesmo diante de novos aumentos da Selic, e não acredita que as taxas nominais possam ficar muito acima do patamar em que já se encontram, entre  9% e 10% ao ano. “Em termos de valor, voltamos ao cenário de dois a três anos atrás, em que o mercado imobiliário estava forte e o crédito não era um desincentivo [para a aquisição de imóveis]”, ressalta o sócio da Kzas Krédito. Muszkat ainda indica que os bancos têm, sim, muito espaço para segurar as taxas, uma vez que a grande fonte para a geração de recursos de crédito imobiliário é a poupança, que vem rendendo pouco mais de 6% ao ano e acabou de passar por uma redução de juros.

Ele ainda lembra que, “por lei, as instituições financeiras são obrigadas a destinar 65% do saldo da caderneta para concessões de crédito imobiliário – do contrário, são penalizadas pelo Banco Central […] Quando a Selic sobe acima de 8,5% ao ano, a caderneta passa a render 0,5% ao mês mais a TR. Isso significa que o custo de crédito imobiliário para os bancos não aumenta”, sinalizando que, na realidade, os bancos não tem motivos para considerar o crédito um prejuízo e nem desestimulá-lo.

 

E aí, curtiu? Para mais informações sobre o mundo do crédito imobiliário, continue acompanhando a Kzas Krédito! 🚀

 

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